20 abril 2009

Marta e Maria

Em Lucas 10 (38-42), temos a seguinte passagem:

"Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.» O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; - mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»"

Durante a leitura do livro "Deus responde no deserto" encontrei a seguinte passagem, a respeito do acima mencionado:

"FECUNDIDADE DA VIDA CONTEMPLATIVA

Entre os variados e profundos aspectos da vida contemplativa que particularmente nos interessam e que, por assim dizer, nos dão segurança, situa-se a sua fecundidade apostólica: fecundidade que se realiza na maior medida, apesar das condições e dos meios que pareceriam próprios a impedi-la, o isolamento e o silêncio. É verdade que a actividade apostólica, na sua expressão mais usual, concretiza-se pelo movimento e pela palavra. O próprio Salvador a definiu na missão conferida aos Apóstolos: «Ide e pregai a todas as gentes». Não é no entanto menos verdade que a vida contemplativa — a «melhor parte» segundo palavras do mesmo Jesus — transforma elementos aparentemente opostos em validíssimos instrumentos de uma idêntica finalidade e de um mesmo resultado.
«A paixão missionária e o sentimento eclesial são componentes fundamentais de toda a autêntica vida contemplativa. A contemplação, como conhecimento de Deus, não é só um mistério de intimidade individual, mas também um mistério, de união com os irmãos. Servo e adorador de Deus, mas também filho da terra, o contemplativo não pode deixar de ser bem humano, de se encontrar muito presente no coração do mundo. Não só presta homenagem à transcendência divina, como sabe encontrar em Deus um amor ardente pelo próximo."

Realmente, quer a passagem na Sagrada Escritura, quer esta passagem do livro em questão mostra-nos a "diferença" entre a vida activa e a vida contemplativa no seio da Santa Igreja. No meu fraco entender uma não substitui a outra, no entanto, não devemos descurar a parte contemplativa, não devemos passar ao lado daqueles(as) irmãos(as) que vivem apenas na contemplação, "a melhor parte" segundo Nosso Senhor Jesus Cristo.

É certo que todos nós (meros cordeiros de um rebanho maior), temos um pouco das duas. Umas vezes somos Marta e outras vezes somos Maria mas se, a melhor parte é a contemplação, tentemos contemplar mais o Divino e oremos por aqueles (as) que "apenas" O contemplam.

16 abril 2009

É A ESTA ESTUPEFACÇÃO QUE SE CHAMA EVANGELHO OU BOA NOVA - por D. ANTÓNIO COUTO‏

1. «Do SENHOR veio isto:/ isto é MARAVILHOSO (niphla’t / thaumastê) aos nossos olhos! ESTE-O-DIA que fez o SENHOR:/ exultemos e alegremo-nos nele!» (Salmo 118,23-24).

2. Não é um dia cíclico, um dia entre outros dias, o dia que o salmista aclama! Os dias, de resto, fê-los todos o SENHOR (Génesis 1,1-2,3). Trata-se aqui de um DIA novo, e sem série (cf. Eclesiástico 33,7-9). É o profético «DIA do SENHOR», aqui totalmente cheio da acção benfazeja do SENHOR!

3. Os Evangelhos documentam esta alegria grande e nova e esta ESTUPEFACÇÃO MARAVILHOSA a abrir o nascimento de JESUS e o DIA novo da sua Ressurreição. Alegria grande (chará megálê) evangelizada (euaggelízomai) aos pastores, mas que é para todo o povo (Lucas 2,10). De facto, todos quantos escutaram os pastores ficaram MARAVILHADOS (thaumázô) (Lucas 2,18). Em estado de MARAVILHA (thaumázôn: particípio presente) ficou Pedro quando leu os sinais do túmulo aberto (Lucas 24,12), e depois os Onze e os outros com eles, movidos pela alegria (chará) e pela MARAVILHA (thaumázontes: particípio presente) (Lucas 24,41), um versículo sobrecarregado com as notas da alegria incontida e da esfuziante MARAVILHA.

4. Só assim, em estado de MARAVILHA permanente, Maria Madalena pode ir anunciar: «VI (heôraka) o SENHOR!» (João 20,18), e os Dez podem dizer a Tomé, chamado o Gémeo, talvez nosso: «VIMOS (heôrákamen) o SENHOR!» (João 20,25). Os dois verbos «ver» estão no tempo perfeito, pelo que, de facto, significam: «VI e continuo a VER», «VIMOS e continuamos a VER». Um VER perfeito.

5. Lendo muito bem o mistério de Cristo, o Papa João Paulo II, no início do seu Pontificado, deixou escrito, com palavras luminosas, na Encíclica Redemptor Hominis, n.º 10, de 04 de Março de 1979, que o homem deve «apropriar-se e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção para se encontrar si mesmo», e ficar assim «MARAVILHADO face a si mesmo», «ESTUPEFACTO perante o seu valor e dignidade». E acrescenta ainda que é «a esta ESTUPEFACÇÃO que se chama Evangelho ou Boa Nova».

6. Os missionários cultivam a alegria, o espanto e a MARAVILHA, e compete-lhes colocar este mundo em estado de MARAVILHA, ou não fôssemos nós também testemunhas destas coisas (cf. Lucas 24,48; Actos dos Apóstolos 2,32). E, portanto, somos nós, somos nós, Senhor, a prova de que Tu ressuscitaste!

7. Uma Páscoa cheia de CRISTO RESSUSCITADO, MARAVILHA do SENHOR aos nossos olhos, meu irmão da Páscoa.

António Couto

01 abril 2009

Regresso

Não se pode passar o resto da vida no cimo da Montanha. Devemos sim, beber da fonte para depois refrescar quem por nós passa. Para depois dar-mos testemunho de que Cristo é vida e Vive em cada um de nós.